Julho é um mês de profunda importância para a história do continente africano. Neste período, celebramos as independências de Ruanda, Burundi, Argélia, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Libéria, marcos que representam a coragem de povos que enfrentaram o colonialismo e afirmaram, por meio da luta, o direito à autodeterminação, à soberania e à construção de seus próprios destinos.
Para a Associação Protetora dos Desvalidos, primeira organização civil negra do Brasil, essas datas ultrapassam as fronteiras geográficas do continente africano. Elas dialogam diretamente com a história da população negra brasileira, cuja ancestralidade, cultura e identidade foram forjadas pela resistência de mulheres e homens africanos que nunca deixaram de lutar pela liberdade, mesmo diante da violência da escravidão e do colonialismo.
Celebrar as independências africanas é preservar a memória de processos históricos que continuam inspirando a luta contra o racismo, as desigualdades e todas as formas de opressão. É reconhecer que a emancipação política conquistada por esses países fortalece também a consciência da diáspora africana e reafirma os vínculos históricos, culturais e espirituais que unem África e Brasil.
Ao longo de seus 193 anos de existência, a SPD compreende que proteger a memória é também construir futuro. A valorização das histórias de independência dos povos africanos fortalece o compromisso com a justiça racial, a dignidade humana e a defesa do direito dos povos negros de narrar suas próprias trajetórias, preservar seus patrimônios e ocupar os espaços de poder e decisão.
Neste mês de julho, a Associação Protetora dos Desvalidos rende homenagem a Ruanda, Burundi, Argélia, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Libéria, reafirmando que celebrar suas independências é celebrar a força de quem transformou resistência em liberdade. Que essas histórias continuem iluminando os caminhos de solidariedade entre África e diáspora e inspirando as lutas do presente por um mundo mais justo, livre e igualitário.