Feminicidio na Brasil e na Bahia

Marcha 8 de Março 2017

As mulheres, principalmente as mulheres negras, são vítimas de mais de 37 mil casos de violência, registrados de janeiro a setembro de 2017, na Bahia. Homicídio, tentativas de homicídio, estupros, lesões e ameaças tipificam essas violências. Mas, destes casos, somente 49 foram considerados feminicídio em números divulgados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA).

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de assassinatos no país chega a 4,8 para cada 100 mil mulheres e o Mapa de Violência (2015) aponta que “As mulheres negras são ainda mais violentadas. Apenas entre 2003 e 2013, houve aumento de 54% no registro de mortes, passando de 1.864 para 2.875 nesse período”.

Na Bahia, a mídia denuncia todos os dias casos de mulheres – na capital e no interior – agredidas ou assassinadas e mostra o quanto esses fatos são comumente ocasionados pelos parceiros ou ex-parceiros das vitimas.

As mulheres baianas têm sofrido com os escassos espaços de atendimentos, sendo apenas 15 delegacias especializadas para um estado de 417 municípios. Assim, denunciar o problema é uma forma de mostrar a necessidade de ampliação desses atendimentos e dar visibildade à questão de que milhares de mulheres serem vitimadas todos os anos.

É preciso se indignar! É preciso discutir o feminicidio, mobilizar e empoderar mulheres para ações preventivas a estas situações e entender que mesmo a lei [contra o feminicidio] não será o suficiente para combatê-lo porque o patriarcado e o machismo exigem o reforço de métodos coletivos e mais urgentes para se efetivar o debate de forma ampla.

2018 não começou diferente do ano passado e já registra crimes que violam à integridade e ferem a dignidade humana das mulheres, o que põem a Bahia em alerta sobre a necessidade de ações concretas que possam assegurar as vidas daquelas que ainda podem gritar “Parem de nos Matar”.

O 8 de março se aproxima e as ruas serão novamente ocupadas pelos movimentos sociais, na insistência de que os poderes públicos e a sociedade como um todo compreendam a legitimidade da pauta.

O Fórum Social Mundial que será realizado na Bahia, no dia 13 de março, também será outra oportunidade de mostrar ao mundo que no Brasil a cada 56 minutos uma mulher sofre algum tipo de agressão. E, assim, seguem as mulheres da Bahia, denunciando e ocupando os espaços onde o Estado se ausenta.

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